terça-feira, 26 de maio de 2015

Mudança no ECA

Acabo de ler sobre uma proposta de mudança no ECA (Estatuto da criança e do adolescente) proposto pelo tucano Rogério Marinho, a proposta de mudança visa acabar com a "doutrinação ideológica" nas escolas públicas, um problema sério muito debatido entre alguns intelectuais mas tido como "bobagens" por outros. No entanto apesar de interessante o projeto ainda apresenta alguns problemas.
Um problema nas mudanças propostas pelo deputado são mudanças no código penal que visa incluir como crime doutrinar crianças em escolas. Acontece que "doutrinar" nada mais é do que "falar" por mais que seja para uma criança, doutrinação é exatamente o que ocorre em igrejas, cultos ou seja uma ideia é proposta (de certo modo imparcial) para a população, não podemos classificar como "crime" o simples fato de falar. No entanto o projeto propõe mudanças importantes em outras áreas.
A mudança mais importante é a mudança no ECA para incluir entre os direitos da criança, o direito de adotar posicionamento ideológicos de forma espontânea, o que não ocorre na maioria das escolas públicas. Este problema é grave, eu mesmo estudei em escolas públicas, tive aulas com professores Petistas e Psolistas (vale lembrar que NÃO eram todos) , e de fato as aulas eram totalmente imparciais, e muitas vezes eram usadas mentiras para sustentar as teses do "professor" e isto não é um problema isolado conheço inúmeras pessoas que passaram pela mesma doutrinação, alguns começam a levantar bandeiras de partidos, e demonizar outros simplesmente por causa de doutrinação e isto péssimo para o debate político, em um pais onde já se tem uma péssima educação, os poucos alunos que "aprendem" alguma coisa enxergam o mundo com um viés ideológico.
Um exemplo clássico é sobre a crise de 29, que sempre é retratada como uma crise causada pelo liberalismo econômico, não vejo nenhum problema em um professor explicar isto, no entanto outras visões como a de Thomas Sowell um economista americano que diz que a crise de 29 foi causada por interferências estatais também deveriam ser analisadas e discutidas sem que o professor imponha a sua visão para os alunos.
Outro exemplo são aulas de história que ignoram fatos históricos no intuito de favorecer uma ideologia, por exemplo tratar os índios brasileiros como "bom selvagens" (como dizia Rosseau) e os portugueses como pessoas cruéis quando na verdade é um pouco mais complexa, (recomendo o livro "guia politicamente incorreto da história do Brasil"). A história também é ciência, uma ciência social, é pode ser usada para favorecer um pensamento ou desmerecer outro, logo o mais correto é analisar o maior número de acontecimentos históricos.
Alguns críticos a esse projeto alegam que "professores que manipulam são exceções", pode até ser, nunca vi uma pesquisa aprofundada sobre como os professores estão dando aula, mas é importante conscientizar principalmente os pais e os próprios professores que as aulas devem ser imparciais, sem viés ideológico e principalmente os pais fiscalizarem a educação que os filhos estão tendo na escola em casa.
Um professor da USP de filosofia argumentou "as crianças e adolescentes não formam seus posicionamentos de forma “livre”. Cabe ao educador dar contextos e apresentar pluralidade para que construam aos poucos com critérios. “Os alunos ainda não dispõem de um repertório cultural amplo que permita decidir com segurança acerca de conteúdos disciplinares. No máximo, conseguem repetir opiniões veiculadas pela mídia ou as da família ou outros"  Bom, se considerarmos esse pensamento podemos imaginar um professor nazista que decida apresentar suas visões de mundo, se não cabe ao aluno decidir de forma "livre" e cabe ao educado dar contextos para que o aluno aos poucos apresenta seus critérios o que impede que o professor guie o aluno a ser um nazista? e se de fato o professor acredita que o professor deve apresentar pluralidade para que construam aos poucos seus critérios o professor deveria apoiar o projeto afinal ele propõe exatamente isto, ou seja que os professores mostram um leque de opiniões e visões de mundo e não ficar limitado a uma visão.
Não há problema e ensinar Karl Marx nas escolas públicas, o problema é que muitos professores apresentam as ideias marxistas como se fossem únicas. O que deve ser feito em uma sala de aula é apresentar todos os "prós" e "contra" Marx, para que o alunos possa decidir (nem que seja quando for mais velho) o que é mais correto.
Uma das críticas do deputado Rogério Marinho é com relação ao caderno de teses do PT que diz "Não haverá mudança social profunda no Brasil, se isto não for acompanhado por uma mudança cultural na visão de mundo da maioria da população brasileira. Necessitamos tornar hegemônicos os valores democráticos, populares e socialistas. Mas o que temos assistido desde 2003 é uma reação das ideias conservadoras em todos os terrenos. Isto se deve, em parte, ao fato de que não houve nenhuma mudança estrutural no terreno da cultura, da educação e da comunicação. Ao contrário: o grande capital e a direita não apenas mantiveram como ampliaram sua ofensiva em cada um destes terrenos" preste atenção nas partes em negrito.
Eles propõem uma mudança social profunda acompanhada de uma mudança cultural, e que é necessário tornar HEGEMÔNICOS os valores socialistas, (colocam ainda democráticos e socialistas sendo que os regimes socialistas destruirão as democracias por onde passaram). Uma tese absurda! ainda coloca como negativa uma reação conservadora, como se os conservadores tivessem que se calar diante de uma tese de "mudança cultural".
A revista "Carta Capital" publicou alguns artigos contra a mudança, nesses artigos é dito " é impossível que um educador não revele as suas preferências pessoais e as suas opções políticas, estéticas, religiosas etc. O gesto educativo é um encontro de pessoa a pessoa; é um contato de subjetividades e não de autômatos que transmitem conteúdos pretensamente objetivos. " O mesmo exemplo usado anteriormente vale contra a argumentação da revista. E se tivéssemos um professor Nazista que ao falar da segunda guerra seja "impossível não revelar suas preferências pessoais e as suas posições políticas", e com isso guiar um monte de meninos a odiar judeus? Estamos falando de um problema sério na educação não podemos relativiza-los.
A revista também alega "Dizer isso, porém, não justifica que o educador comporte-se como cabo eleitoral ou propagandista de um partido, nem como missionário de salvações religiosas ou representante de padrões estéticos ou outros. O dilema é que um(a) educador(a) autêntico(a) transpira os valores que formam sua vida. Seu modo de ser, independentemente de seus discursos, já basta para que os estudantes percebam quem é a pessoa que os educa." Não necessariamente, é possível por mais que você defenda uma tese, ao explica-la para jovens você tendo consciência da importância de seu trabalho ou seja estar formando a opinião de jovens, mantenha o decoro. Como disse anteriormente tive aulas com professores bons e imparciais, que apesar de suas posições políticas não transmitiram isso para os alunos, mantiveram-se neutros e deixam que os alunos tomem suas próprias decisões.
 Mais à frente a revista muda um pouco o discurso e diz "um(a) professor(a) de Filosofia que adote em sua visão-de-mundo a perspectiva existencialista não pode despir-se dela ao apresentar a perspectiva analítica ou outra. Será um sinal de maturidade intelectual, como dizem as Orientações Curriculares para o Ensino Médio, se o(a) educador(a) tiver a capacidade de justificar sua perspectiva sem desprezar as outras, mas apresentando-as com rigor teórico e respeito." Sobre um "professor não poder se despir de sua perspectiva ao ensinar eles não expressam nenhuma argumento (dizer que é um sinal de maturidade não é argumento) por fim apresentar outras visões com rigor teórico e respeito é exatamente isto que está sendo pedido, este "respeito" á ideias opostas não está sendo feito.

Por fim, o projeto tem pontos positivos e negativos, tenta resolver um problema sério, no caso a doutrinação ideológica mas ao mesmo tempo pode trazer problemas pois altera o código penal desnecessariamente. O problema da doutrinação ideológica deve ser enfrentado e conscientizado por toda a população de forma racional.

A liberdade de expressão e suas distorções

A internet proporcionou nos últimos anos um imenso avanço no campo da comunicação, possivelmente se trata de um grande momento para a liberdade de expressão idealizada por Voltaire, no entanto esse avanço trouxe alguns críticos, que alegam que a mídia é imparcial, por outro lado outros grupos surgem na tentativa de ser uma mídia de comunicação mas ignoram a importância de pesquisas no jornalismo e acabam prestando um desserviço á sociedade.   
"Posso não concordar com o que você vai falar, mas defenderei até á morte o seu direito de dizer" essa frase do filosofo Voltaire defende um dos principais valores da sociedade contemporânea, a liberdade de expressão. Hoje vimemos um período de grande importância em relação a liberdade de expressão, depois de anos de repressão na época da ditadura finalmente por meios democráticos o povo brasileiro tem voz para poder se expressar, principalmente por meio da internet que proporciona qualquer um possa falar um pouco sobre uma notícia, uma lei, um projeto ou até mesmo divulgar as notícias, ser um jornalista, porém essas pessoas ignoram a importância da pesquisa a hora de fazer uma divulgação, o que pode gerar graves problemas.
O primeiro problema são pessoas criticando o direito a se expressar de jornalistas, dizendo que eles são "golpistas" ou seja usando a liberdade de expressão para propor a censura de outros. Isso ocorre porque as pessoas acreditam que o jornalista é imparcial, não! o jornalismo é imparcial o jornalista não. O jornalista é um indivíduo com opiniões, crenças, valores que podem discordar de você leitor, no entanto defender a liberdade de expressão é defender o direito de todos falar, aqueles que você concorda (que por sinal também são extremamente imparciais) e também aqueles no qual você discorda. Algumas revistas são extremamente atacadas por causa de suas opiniões, no ano passado a revista Veja teve sua sede na editora abril pichada e atacada por vândalos por causa de uma publicação sobre a candidata á presidência. Um episódio lamentável, típico de um pais que tem uma democracia recente, tanto que em democracias mais fortes como os Estados Unidos, um jornal ou revista defender alguns princípios ou valores é comum, jornais como o "The Washington Post" com visões conservadoras e jornais como o "The Guardian"(esse é inglês) com visões mais liberais. A liberdade de expressão é um direito, previsto por lei, e não pode ser atacada por pressões políticas.
Outro grande problema é a irresponsabilidade na qual alguns dos novos "jornalistas" vem prestando um desserviço á população (é claro que isso não implica que eles devem ser censurados, isso é apenas uma crítica, o ideal é que todos falem)  essas pessoas vem divulgando informações falsas, ou sem pesquisa aprofundadas, seja por meio de blogs ou vlog (como é mais comum hoje em dia) pessoas que influenciam os mais jovens, mas nem se quer fazem uma pesquisa aprofundada sobre os fatos, pegam apenas o título da reportagem e expressão uma opinião vazia sem real conhecimento dos fatos. Vale lembrar que isto não se limita a vlogueiros, alguns "jornalistas" da chamada "grande mídia" também passam informações vazias e muitas vezes mentirosas, distorcendo os fatos. Esses jornalistas não devem ser censurados em nenhuma hipótese, no entanto deve entender a importância de ter influência, e pesquisar seriamente antes de divulgar uma notícia. Na história podemos entender a importância da figura do jornalista no personagem Marat. Marat foi um jornalista da época da revolução francesa, no início da revolução Marat fazia críticas em seu jornal sobre o regime absolutista de Luis 16, mas com o tempo Marat passou a denunciar supostos críticos a revolução. Marat recebia denúncias sobre supostos conspiradores e nem se quer pesquisava para saber a veracidade da informação apenas divulgava essa informação, como consequência inúmeras pessoas tiveram suas cabeças decepada pela guilhotina durante uma época que ficou conhecida como o "grande terror". 
Hoje no Brasil do século 21 um evento parecido ocorreu recentemente. Uma mulher foi lixada pela população até a morte, tudo porque um rapaz dono de uma página de uma rede social divulgou uma notícia falsa de que a mulher fazia magia negra com crianças. Tudo era mentira, a mulher foi morta injustamente. Esse evento deve servir para esses jornalistas mirins saibam a responsabilidade que é divulgar notícias.

A liberdade de expressão é extremamente importante para a sociedade, depois de anos de censura nos anos de chumbo, não podemos retroceder a época de censura, no entanto devemos entender a importância e principalmente a responsabilidade social de divulgar noticia afinal a opinião de diversas pessoas irão ser formadas com base nessa visão, isto pode gerar bons debates na sociedade, mas pode gerar terríveis consequências. 

FONTES:

Voltarie

Sede da Veja atacada



The Washington Post


The Guardiam


mais sobre liberdade de expressão


mulher atacada por causa de boatos (não recomendo ver o video, cenas fortes)


Documentário sobre Marat e a revolução francesa

sábado, 23 de maio de 2015

Importância da politica

TEMA: participação política indispensável ou superada

Todos os dias projetos, leis, programas são propostos e analisados na esfera política brasileira, no entanto a população está cada vez mais se afastando dos debates políticos do Brasil, isto é um problema grave, pois como vivemos em uma sociedade estruturada com base no estado democrático o debate político é extremamente importante para o bem estar de todos
De acordo com o filosofo Thomas Hobbes, não há como viver em paz em uma sociedade sem a figura do estado, pois de acordo com Hobbes em uma sociedade sem estado, haveria o retrocesso da humanidade á um estado de caos, onde o "homem é lobo do homem", em outras palavras se não houvesse o estado para garantir os direitos da sociedade o homem na ausência de ordem iria atacar seu semelhante, um exemplo dessa visão de Hobbes na sociedade atual são algumas favelas brasileiras onde o estado perdeu totalmente o controle e com isso bandidos começaram a dominar as regiões das favelas impondo suas vontades individuais contra a população honesta, logo a figura do estado é indispensável e com isso surge a necessidade de encontrar a melhor forma do estado se relacionar com a sociedade por meio de algum regime.
Ao fazermos uma análise na história da humanidade podemos perceber que a democracia é o único regime no qual é possível manter a paz na sociedade por meio do estado, mas sem extrapolar os limites no qual o estado deve agir. Além da democracia outros regimes foram instaurado em diversas partes do mundo e todos geraram terríveis consequências. São esses regimes o fascismo, o comunismo, o nazismo e mais antigamente o havia regimes absolutistas, em todos os casos o resultado de tais regimes foram mortes em massa da população, pobreza, autoritarismo, desrespeito as liberdades individuais e aos direitos humanos. Portanto a democracia é necessária para se viver em sociedade, mas para vivermos em democracia é necessário que exista debates sobre o que é melhor para os indivíduos logo é necessário a política.
De acordo com o jornalista Reinaldo Azevedo no jornal "Os pingos nos is" a política é complexa, e para demonstrar isso ele usa como exemplo um ocorrido na segunda guerra mundial na Inglaterra, onde acredita-se que Winston Churchill permitiu que uma cidade inglesa fosse bombardeada por alemães pois se Churchil evacua-se a cidade os alemães descobririam que a Alemanha estava sendo espionada pelos ingleses e isto poderia comprometer toda a estratégia inglesa. Este exemplo extremamente delicado mostra como política é um assunto complexo que não pode ser limitado simplesmente a político ou a partidos políticos e sim analisado de forma crítica por toda a sociedade.

Portanto, política deve ser discutida por toda a sociedade além de que ações políticas como a aprovação de leis, projetos, interfere direta ou indiretamente na vida de todos. Política não se resume à congresso nacional, câmara dos deputados ou o senado, política está envolvida na vida de todos os cidadãos, interfere na economia, na sociedade e todas essas ações devem ser analisadas do um ponto de vista amplo, por todos os cidadãos.

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Os regimes totalitários

          Os regimes totalitários foram terríveis para a humanidade, pois acabaram com as grandes conquistas iluministas de liberdade e igualdade, no entanto hoje muitas visões surgem para analisar características desses regimes, alguns o retratam como de “esquerda” e outros de “direita”, mas o que realmente foi o nazi fascismo? 

          De acordo com grande parte dos historiadores os regimes totalitários o nazismo e fascismo são regimes totalitários de extrema direita,o que esta correto, no entanto quando um historiador se refere ao nazismo e ao fascismo como extrema direita ele não está se referindo a um governo neoliberal, na verdade esses regimes totalitários estão contextualizados em um determinado período histórico, que precisamos analisar para entender o que aconteceu.

O mundo estava no período entre guerras, a primeira guerra mundial havia deixado inúmeros mortos e após alguns iniciaria o maior conflito da história da humanidade, a segunda guerra. No meio da primeira guerra mundial a Rússia que estava em guerra com a Alemanha saiu do conflito e passa pela revolução socialista guiada por Lenin, instaurando o regime socialista soviético que matou milhares de pessoas. Com o fim da guerra a Alemanha estava derrotada e é humilhada pela França no tratado de Versalhes onde fica imposto que a Alemanha deveria pagar uma quantia para a França, caso contrário a França iria tomar territórios da Alemanha, além de que os alemães estavam proibidos de ter exército. Os Estados Unidos na época propôs algo diferente, uma "paz sem vencedores" para evitar o revanchismo alemão.

As coisas ficam pior para a Alemanha no ano de 1923 com uma forte crise econômica, tudo começa porque a Alemanha não tem mais condições de pagar a dívida, logo a França começa a pegar os territórios previstos no tratado, no entanto esses territórios são áreas industriais de extrema importância. Em meio a isto surgem greves dos alemães contra o domínio Francês, e o governo alemão em apoio aos grevistas decide adotar uma política emissionista, o resultado inflação....

Ou seja as coisas não estavam indo bem para a Alemanha, e o cenário mundial ficava um pouco mais complexo, pois os Estados Unidos em 1929 passa por uma crise econômica, em meio a esta crise os alemães tem medo de ideias socialistas ganhem força, e os partidos que tinha o socialismo como inimigo ganharam força. Sendo o socialismo a extrema esquerda, o novo regime autoritário criado na Alemanha e na Itália só poderia ser o extremo oposto, a extrema direita. No entanto como bem disse o professor de história Marco Antônio Villa "Os extremismos sempre, por incrível que pareça, sempre se aproximaram muito entre direita e esquerda, os dois odiavam a democracia, os dois queriam estado forte, os dois tinha uma relação de violência com a sociedade civil".
Chamar um liberal ou um conservador de "fascista" é ridículo, basta analisarmos as características do fascismo e do nazismo e veremos que o liberalismo econômico é oposto disso, aliás os regimes totalitários estão muito mais próximos do socialismo é claro que é importante observar que se tratam de regimes diferentes mas que possuem características em comum e essas características que os liberais criticam. Os regimes nazifascistas eram totalitários, ou seja acreditavam que o estado estava acima de tudo, visão amplamente criticada pelos liberais e conservadores, aliás eram devido a essa crença no estado que vem o nome "nazismo" nacional socialismo, nacional referindo-se ao nacionalismo outra característica do totalitarismo, e socialista (não se refere ao regime soviético) por que acreditava no estado acima de tudo, acima do indivíduo. Da mesma o regime soviético, ignorava o indivíduo, colocava o estado acima de tudo e não respeitava a democracia, por isso muitos chamam o nazismo de esquerda, os historiadores discordam, mas o que fica de lição é como essas características que podemos encontrar nesses regimes fizeram mal a humanidade, e com isso aprendermos com a história, olhar no passado, entender o presente e o moldar o futuro.

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https://www.youtube.com/watch?v=VXx1LssIW3w

quinta-feira, 7 de maio de 2015

A Ágora do século 21

A filosofia surgiu na Grécia devido á diversos fatores. Desde questões políticas, sociais e econômicas, no campo da política podemos atribuir a democracia o surgimento da filosofia, no campo da economia podemos atribuir ao intercâmbio cultural que existia entre a Grécia e outros países. No campo social, a escravidão na Grécia também foi um fator importante para o desenvolvimento da filosofia, pois com a escravidão os gregos tinham tempo livre para discutir diversos assuntos no campo de ideias, uma espécie de "ócio criativo", pois enquanto os escravos trabalhavam os gregos ficavam na Ágora, a praça pública na antiga Grécia debatendo, alguns filósofos até criticavam o trabalho físico, como por exemplo Xenofantes que dizia: "O trabalho tira todo o tempo do homem, e com ele não há tempo livre para a república e para os amigos" (uma visão absurda, no entanto se trata de uma visão de  570 - 475 A.C). Desta Ágora saíram diversos pensadores importantes, como Tales, Pitágoras, Demócrito e Heráclito por exemplo, porém as ideias desses pensadores não atingiram as massas, a maioria da população, pois esse pensadores viviam fora da realidade do cidadão comum, tanto que a ideia de que o trabalho é algo ruim se mantém até a alguns pensadores romanos como por exemplo Cícero que diz : "o homem que dá o seu trabalho por dinheiro vende-se a si mesmo e põe-se a nível dos escravos"(novamente uma ideia absurda mas se passa em 107 A. C).
Mas no que essa fase na história pode nos contar sobre a realidade atual? Podemos observar esta separação no pensamento dito intelectual com a população comum (não querendo comparar, se trata apenas de uma analogia), de acordo com o filósofo Luiz Felipe Pondé, "assistimos um completo rompimento do contrato social, infelizmente a intelligentsia não percebe que tanto a burguesia chocadinha quanto os mais pobres, fazem parte da mesma categoria de gente comum" que Pondé descreve como "gente duramente meritocratica, quem não trabalha é vagabundo, não quer ser assaltada quando vai do trabalho para a casa e se for quer ver o bandido se ferrar feio, quer também casa própria, metrô, ônibus que andem, comprar um carro logo que possível, hospital sem muita fila, comer pizza no domingo, ir pra praia, ir ao salão de beleza, ver os filhos crescerem e se der ler alguma coisa além de ver televisão". Esse rompimento entre a classe intelectual e gente comum pode trazer grandes consequências.
Uma das consequências é o fortalecimento de um populismo, pois diante de uma sociedade que quer soluções rápidas de seus problemas, todos clamam por ouvir aquilo que eles querem ouvir, sem debates aprofundados, eles querem alguém que vai "matar bandido", "proporcionar tudo de ótima qualidade", "abaixar os impostos”, “ajudar a classe trabalhadora" etc. Não que essas ideias são erradas ou certas, no entanto o populista vai se apoiar em discursos prontos, sem muitos argumentos, que serão apoiadas pela maioria da população sem sequer ser discutido. Com isso o populista consegue poder político para defender seus interesses próprios em nome de algo que ele intitula povo, esquecendo que esse povo é constituído de indivíduos.
Outra consequência pode vir quando a população percebe que o populista não atende mais os interesses do povo, de que as ideias e soluções baseadas no grito da maioria e não na razão, não resolverem os problemas ao contrário só pioraram, é quando os serviços de qualidade são mal feitos, quando a polícia não consegue resolver todos os problemas, quando o desemprego aumenta, nessa etapa não se tem mais fé na ordem democrática, na política, nas instituições, nada disso, afinal o cidadão comum não possui mais emprego, carro, segurança saúde etc. Com isso ideias radicais podem ganhar força, ideias que vão desde um comunismo assassino até um anarcocapitalismo utópico.

A classe intelectual deve se aproximar mais da população, economia, sociologia, história, filosofia não podem ficar só na Ágora (ou nas universidades) devem estar na boca do povo, para que o mesmo não caia nas soluções de charlatões da política, ou ideias equivocadas baseadas apenas em uma visão simplista da realidade do cotidiano.

Texto de Pondé
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrada/152559-hobbes-nas-ruas.shtml
"Ninguém jamais calculou com exatidão, nem mesmo os poetas,o quanto suporta um coração"

-Zelda Fitzgerald

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