A filosofia surgiu na Grécia devido á
diversos fatores. Desde questões políticas, sociais e econômicas, no campo da política
podemos atribuir a democracia o surgimento da filosofia, no campo da economia
podemos atribuir ao intercâmbio cultural que existia entre a Grécia e outros
países. No campo social, a escravidão na Grécia também foi um fator importante
para o desenvolvimento da filosofia, pois com a escravidão os gregos tinham
tempo livre para discutir diversos assuntos no campo de ideias, uma espécie de
"ócio criativo", pois enquanto os escravos trabalhavam os gregos
ficavam na Ágora, a praça pública na antiga Grécia debatendo, alguns filósofos
até criticavam o trabalho físico, como por exemplo Xenofantes que dizia:
"O trabalho tira todo o tempo do homem, e com ele não há tempo livre para
a república e para os amigos" (uma visão absurda, no entanto se trata de
uma visão de 570 - 475 A.C). Desta Ágora
saíram diversos pensadores importantes, como Tales, Pitágoras, Demócrito e
Heráclito por exemplo, porém as ideias desses pensadores não atingiram as
massas, a maioria da população, pois esse pensadores viviam fora da realidade
do cidadão comum, tanto que a ideia de que o trabalho é algo ruim se mantém até
a alguns pensadores romanos como por exemplo Cícero que diz : "o homem que
dá o seu trabalho por dinheiro vende-se a si mesmo e põe-se a nível dos
escravos"(novamente uma ideia absurda mas se passa em 107 A. C).
Mas no que essa fase na história pode
nos contar sobre a realidade atual? Podemos observar esta separação no
pensamento dito intelectual com a população comum (não querendo comparar, se
trata apenas de uma analogia), de acordo com o filósofo Luiz Felipe Pondé,
"assistimos um completo rompimento do contrato social, infelizmente a
intelligentsia não percebe que tanto a burguesia chocadinha quanto os mais
pobres, fazem parte da mesma categoria de gente comum" que Pondé descreve
como "gente duramente meritocratica, quem não trabalha é vagabundo, não
quer ser assaltada quando vai do trabalho para a casa e se for quer ver o
bandido se ferrar feio, quer também casa própria, metrô, ônibus que andem,
comprar um carro logo que possível, hospital sem muita fila, comer pizza no
domingo, ir pra praia, ir ao salão de beleza, ver os filhos crescerem e se der
ler alguma coisa além de ver televisão". Esse rompimento entre a classe
intelectual e gente comum pode trazer grandes consequências.
Uma das consequências é o fortalecimento
de um populismo, pois diante de uma sociedade que quer soluções rápidas de seus
problemas, todos clamam por ouvir aquilo que eles querem ouvir, sem debates aprofundados,
eles querem alguém que vai "matar bandido", "proporcionar tudo de
ótima qualidade", "abaixar os impostos”, “ajudar a classe
trabalhadora" etc. Não que essas ideias são erradas ou certas, no entanto
o populista vai se apoiar em discursos prontos, sem muitos argumentos, que
serão apoiadas pela maioria da população sem sequer ser discutido. Com isso o
populista consegue poder político para defender seus interesses próprios em
nome de algo que ele intitula povo, esquecendo que esse povo é constituído de indivíduos.
Outra
consequência pode vir quando a população percebe que o populista não atende
mais os interesses do povo, de que as ideias e soluções baseadas no grito da
maioria e não na razão, não resolverem os problemas ao contrário só pioraram, é
quando os serviços de qualidade são mal feitos, quando a polícia não consegue
resolver todos os problemas, quando o desemprego aumenta, nessa etapa não se
tem mais fé na ordem democrática, na política, nas instituições, nada disso,
afinal o cidadão comum não possui mais emprego, carro, segurança saúde etc. Com
isso ideias radicais podem ganhar força, ideias que vão desde um comunismo
assassino até um anarcocapitalismo utópico.
A classe intelectual deve se aproximar
mais da população, economia, sociologia, história, filosofia não podem ficar só
na Ágora (ou nas universidades) devem estar na boca do povo, para que o mesmo
não caia nas soluções de charlatões da política, ou ideias equivocadas baseadas
apenas em uma visão simplista da realidade do cotidiano.
Texto de Pondé
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrada/152559-hobbes-nas-ruas.shtml