sábado, 2 de julho de 2016

A culpa é das estrelas não é tão "teen" assim

Há um tempo atrás o livro “a culpa é das estrelas” se tornou o livro pop do momento. E como todo movimento artístico que populariza surgiu, naturalmente, críticos ao chamado “modismo”. Normalmente são pessoas que não leram o livro, mas o repudiam por este ser algo popular – principalmente entre os adolescentes- mesmo sem se dar ao livro a possibilidade de se redimir. Sendo assim é importante fazer uma observação. Nem tudo que é popular necessariamente é banal. Apesar de podermos citar vários exemplos de figuras populares que não agregam em nada na vida das pessoas, ainda sim, é possível existir livros, filmes, peças de teatro que sejam populares e que ao ser analisado de um ponto de vista mais profundo podemos encontrar mensagens intrigantes.
Este é o caso do “modismo” de Jhon Green. O livro conta história de Hazel que conhece Gus em um grupo de apoio a pacientes com câncer. Eles se apaixonam, iniciam um namoro que passa por alguns obstáculos. Até aqui um livro aparentemente normal. Aqueles que escutam somente essas características da história vão considera-lo somente um romance entre adolescentes mesmo.
No entanto, Jhon Green surpreende quando analisamos os propósitos e as mensagens contidas no livro. A referência de Green no livro é a obra de Shakespeare. Para o ícone da literatura inglesa a ideia de sua época de atribuir os problemas que encontravam nas suas vidas aos astros, estrelas era um escapismo diante da própria fraqueza. Para Shakespeare, se você não conseguiu algo – um desejo ou sonho- isso é de sua responsabilidade, não de fatores externos, metafísicos. Logo a culpa não é das estrelas a culpa é sua.
Green, um jovem escritor americano do século 21, questiona esse pensamento. Existem fatores em nossas vidas nas quais não podemos escolher ou determinar. Um acidente, uma doença, uma perda, pode mudar nossa vida e nossos planos para sempre. No livro, ele exemplifica essa crítica com o personagem Gus. Este possui diversos sonhos de se tornar um grande homem, entrar para a história –como um ser humano deve ser de acordo com Shakespeare- mas vê sua vida e planos ser interrompidos por algo que não conseguem determinar, algo cujo a culpa não foi dele, a culpa foi das estrelas.

É claro que debates mais profundos sobre esses conceitos podem ser feitos, mas isso fica por conta dos filósofos de plantão. Por mim o livro – que li a muito tempo atrás enquanto ainda era modinha- levanta um debate interessante que pode nos tirar da posição de culpar para de compreender.
"Ninguém jamais calculou com exatidão, nem mesmo os poetas,o quanto suporta um coração"

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