“Quanto mais se eleva o
capital investido por individuo, mais próspero se torna o país”
-Mises
Em
1958 o economista Ludwig Heinrich Edler Von Mises foi para a Argentina para
realizar algumas palestras sobre economia. No total foram seis palestras
abordando seis temas diferentes sendo eles capitalismo, socialismo, inflação,
investimento externo e ideias. Essas palestras foram descritas por sua esposa
no excelente livro “as seis lições”.
Mises
é um dos economistas mais importantes da famosa escola austríaca (escola de
economistas que defendem a liberdade de mercado). Uma de suas contribuições
mais famosas para a economia é o problema do cálculo econômico, problema que é
debatido até hoje em escolas econômicas.
Fazendo
alguns breves comentários sobre a obra de Mises.
No
livro, Mises inicia desmistificando diversos aspectos e críticas que o livre
mercado recebe. Sobre o capitalismo (a primeira lição) ele diz “O
desenvolvimento do capitalismo consiste em que cada homem tem o direito de
servir melhor e/ou mais barato seu cliente”. Tal definição desmonta a visão de
que o capitalismo é um sistema opressor que gera pobreza. A pobreza não nasceu no capitalismo. No
feudalismo, por exemplo, grande parte da sociedade era pobre e não possuía condições
de melhorar de vida (sociedade quase estamental). Com o advento do capitalismo
começou a se gerar riqueza.
O
ódio ao capitalismo, segundo o autor, não teve origem nos trabalhadores e sim
entre os mais ricos. Segue o trecho do livro “É fato que o ódio ao capitalismo
nasceu não entre o povo, não entre os próprios trabalhadores, mas em meio à
aristocracia fundiária – a pequena nobreza da Inglaterra e da Europa continental.
Culpavam o capitalismo por algo que não lhes era muito agradável: no início do
século XIX, os salários mais altos pagos pelas indústrias aos trabalhadores
forçaram a aristocracia agrária a pagar salários igualmente altos aos seus
trabalhadores agrícolas. A aristocracia atacava a indústria criticando o padrão
de vida das massas trabalhadora, do nosso ponto de vista, o padrão de vida dos
trabalhadores era extremamente baixo. Mas, se as condições de vida nos primórdios
do capitalismo eram absolutamente escandalosas, não era porque as recém-criadas
indústrias capitalistas estivessem prejudicando os trabalhadores: as pessoas
contratadas pelas fábricas já subsistiam antes em condições praticamente subumanas.”
Isso mostra um caráter revolucionário do capitalismo, no sentido que sua
prática desafiou o interesse daqueles que se consideravam iluminados.
Outro
ponto levantado sobre o capitalismo é interessante no livro. De acordo com
Mises “Quanto mais se eleva o capital investido por individuo, mais próspero se
torna o pais.” Isso ataca duas visões. Uma antiga outra mais contemporânea. A
primeira de que um pais rico é aquele que possui mais metais preciosos (mercantilismo).
Adam Smith já refutou esta ideia.
Atualmente alguns creem de que um pais próspero é um pais sem
desigualdade. Bem se isso é verdade então a Etiópia é um pais próspero. Afinal,
de acordo com o índice Gini (que mede a desigualdade social) a Etiópia está bem
colocada. Mas o Idh (Índice de desenvolvimento humano) é baixíssimo. Porque?
Porque, como Mises explica a riqueza está no capital investido no indivíduo. Um
pais pode acabar com a desigualdade social deixando todos pobres. Ou seja não
haver desigualdade não é sinal de pais próspero.
Mises
é um critico ferrenho ao autoritarismo. Ele aponta como a falta de liberdade
econômica pode levar ao autoritarismo. Segue o trecho “Se (o governo) for o
dono de todas as máquinas impressoras, o governo determinará o que deve e o que
não deve ser impresso. Nesse caso, a possibilidade de se publicar qualquer tipo
de crítica ás ideias oficiais torna-se praticamente nula”. Ou seja, não é
preciso que o estado destrua todas as instituições, use o exército contra a
população, não, basta ter o monopólio de uma forma de comunicação ou
simplesmente de papel, afinal sem papel, sem jornais.
Outro
tema muito recorrente quando o assunto é capitalismo é a liberdade. Afinal,
existe ou não liberdade no capitalismo? Mises argumenta “É verdade que a liberdade
possível numa economia de mercado não é uma liberdade perfeita no sentido
metafisico. Mas a liberdade perfeita não existe. É só no âmbito da sociedade
que a liberdade tem algum significado. Os pensadores que desenvolveram, no
século XVIII, a ideia da lei natural – sobretudo Jean-Jacques Rosseau (Pensador
iluminista francês) – acreditavam que um dia, num passado remoto, os homens
haviam desfrutado de algo chamado liberdade natural. Mas nesses tempos remotos
os homens não eram livres – estavam à mercê de todos os que fossem mais fortes
que eles mesmos. As famosas palavras de Rosseau ‘o homem nasceu livre e se
encontra acorrentado em toda parte’, talvez soem bem, mas na verdade o homem
não nasceu livre. Nasceu como uma criança frágil de peito. Sem a proteção dos
pais, sem a proteção proporcionada na sociedade, não teria sobrevivido.”.
Podemos pensar em um exemplo. Eu sou livre para viajar até Santos agora? A
resposta é sim. Eu posso ir andando daqui de São Paulo até a cidade de Santos.
No entanto tal percurso é meio difícil mas eu possuo a liberdade para ir até lá.
Mas seria mais fácil se eu viajasse de ônibus. Logo surge a questão. Eu tenho a
liberdade de viajar de ônibus até Santos? A resposta é: Não se trata de uma
liberdade. Afinal eu não criei o ônibus, este foi feito por outras pessoas, usá-lo
sem uma troca consentida entre eu e os criadores do ônibus trata-se de um
roubo. Logo, trata-se de cercear a liberdade do outro que produziu. Portanto o
capitalismo propicia a liberdade individual mas os críticos querem que a
liberdade natural intangível este nenhum sistema proporcionou o proporcionará
na história.
O
socialismo é uma das ideias mais combatidas por Mises. Uma de suas críticas fundamentais
(além do problema do cálculo econômico) é com relação a divulgação de problemas
e soluções para a sociedade. Segue o trecho “Quando alguém tem uma ideia (no
capitalismo), procura encontrar algumas outras pessoas argutas o suficiente
para perceberam o valor de seu achado. Alguns capitalistas que ousam perscrutar
o futuro, que se dão conta dão possíveis consequências dessa ideia, começarão a
pô-la em pratica. Outros, a princípio, poderão dizer: ‘são uns loucos’ mas
deixaram de dizê-lo quando constatarem que o empreendimento que qualificam de
absurdo ou loucura está florescendo, e que toda gente está feliz por comprar
seus produtos. No sistema marxista, por outro lado, o corpo governamental
supremo deve primeiro ser convencido do valor de uma ideia antes que ela possa
ser levada adiante”. Isso é possível ser
notado com novidades tecnológicas. No capitalismo americano uma empresa pode
desenvolver tecnologias como o carro elétrico livremente para solucionar
problemas como a poluição atmosférica. Em um sistema marxista tal carro passaria
por uma imensa burocracia e provavelmente não surgiria a não ser que um
burocrata do governo se beneficie de alguma forma. E se viesse a realidade
seria uma tecnologia próxima aos flintstones.
Mises
também aponta uma diferença fundamental entre empresas privadas e públicas.
Segue o trecho “A situação do indivíduo é bem diversa. Sua capacidade de gerir
um empreendimento deficitário é muito restrita. Se o déficit não for logo
eliminado, e se a empresa não se tomar lucrativa o indivíduo vai à falência e a
empresa acaba. Já o governo goza de condições diferentes. Pode ir em frente com
um déficit, porque tem o poder de impor tributos à população”. Mises não era
vidente mas este trecho parece uma previsão do atual cenário brasileiro. Uma
empresa como a Petrobrás abrigando ratos como diretores que sugaram a empresa
para conseguir benefícios políticos e individuais certamente estaria na falência
se fosse privada e mal administrada como foi.
Por
fim esses comentários que faço são apenas um brevíssimo recorte do belo e
esclarecedor livro de Mises que aborda questões como inflação, império Romano,
idade média, nazismo e muitos outros temas. Recomendo a leitura imediata para
aqueles que não conhecem está magnifica obra.
