Diversos
casos de estrupo, infelizmente, ocorrem no Brasil diariamente. Diante disso a
frase “ela mereceu” já foi diversas vezes mencionada em comentários quando
casos de abusos sexuais contra mulheres ocorrem. Tal afirmação tenta transferir
a responsabilidade de um crime, por incrível que pareça, à vítima. Essa
alegação é perversa, pois abre espaço para inversões de princípios, além de, no
fundo, ser uma tentativa de coibir a liberdade individual conquistada por anos
de luta.
A vítima de um estrupo além de lidar
com o trauma e todas as dificuldades que decorrem do ataque, se encontra muitas
vezes diante de opiniões absurdas. Frases como “mereceu” ou “quem mandou andar
com esta roupa” demonstram uma tentativa de inverter princípios, colocando a
culpa do crime na vítima e isentando o verdadeiro inimigo o estuprador. A
mulher tem toda a liberdade de andar com que roupa desejar e caso seja atacada
não será culpada, será vítima. Ela não iniciou nenhum ato violento, não atacou ninguém
e não obrigada a se moldar diante de uma sociedade de problemas, mas os
problemas da sociedade devem ser resolvidos para garantir liberdade total aos indivíduos.
A liberdade é uma das maiores
conquistas da história da humanidade. Logo quando pessoas sugerem a restrição de
liberdades individuais garantidas em nossa civilização, esta pessoa está contra
a civilização. Com isso, sugerir o que as mulheres devem ou não vestir é um
ataque á anos de revolução francesa, iluminismo, independência e todo processo
civilizatório. Quando crimes contra mulheres ocorrem, o problema não está nos
anos de desenvolvimento social ou nas mulheres e sim em indivíduos que não
respeitam a liberdade de outras pessoas.
A falha lógica no argumento de culpar
a vítima está em uma simples análise social. Se andar com roupas curtas “causa”
o estrupo, como muitos alegam, então porque países onde as mulheres, por
questões religiosas ou culturais, usam roupas que escondem o corpo inteiro são
atacadas? A resposta está no fato de que o problema não está na vítima está no
agressor.
Sendo assim a ideia de culpar a vítima
por crimes cometidos contra ela deve ser extinta, pois fere a liberdade
individual, fere os princípios básicos que sustentam a civilização na qual vivemos.
Tal alegação não se sustenta em estudos aprofundados de outros países. Para às
mulheres nossa civilização garante à liberdade, para ogros que ousem ataca-las,
esta mesma civilização lhes garante a prisão.