segunda-feira, 13 de abril de 2015

A ditadura militar

            A ditadura militar Brasileira durou de 1964 até 1989, foi uma consequência da crise política na qual se encontrava o mundo naquela época. Estávamos no meio da guerra fria, de um lado os Estados Unidos, defendendo o capitalismo como sistema de governo, do outro a União das republicas socialistas soviéticas, que defendiam o comunismo, como sabemos os Estados Unidos triunfou, a União soviética fracassou. Em meio a esse conflito ideológico o Brasil também passava por uma crise política, Jânio Quadros, presidente do Brasil na época, enfrenta forte oposição a suas ideias econômicas e no meio de tanta pressão interna e externa Jânio Quadros renúncia. O vice, João Goulart popularmente conhecido como Jango assume o cargo, ele é um forte representante da esquerda e isto, em época de guerra fria não foi bem visto pelos militares que ficaram preocupados com a relação entre Jango e o comunismo. Jango faz algumas propostas, dentre elas, o voto para analfabeto, a reforma agrária e uma maior interferência do estado na economia. Essas propostas não agradam a oposição, que em resposta forçam Jango a assinar um acordo para manter um regime parlamentarista. No entanto Jango não aceita e graças ao apoio das classes trabalhadoras e da esquerda consegue adiantar um plebiscito, para que o povo decidisse se optaria por um regime parlamentarista ou presidencialista. O povo decide o presidencialismo, o que dá maior autonomia a figura de Jango, que segue firme em suas ideias políticas, no entanto ainda encontra dificuldade para aprovar seus projetos. Em meio ao caos político, Jango convoca apoiadores a sair as ruas, cerca de 150 mil pessoas compareceram em seu comício no Rio de Janeiro, no dia 13 de março de 1964. Porém a oposição, grupos ligados à igreja católica e aos empresários, em São Paulo, também sai ás ruas para fazer reivindicações contra o governo pois em meio à guerra fria, eles temiam a ameaça comunista. No dia primeiro de abril de 1964 tropas militares rebeldes marcham no Rio de Janeiro pedindo a renúncia de Jango. Na noite daquele mesmo dia é anunciada a vaga da presidência da república, o golpe foi dado, do dia 2 de abril a junta militar comanda o Brasil, até que no dia 9 de abril, Castelo Branco assume a presidência da república. A partir desse dia o Brasil passa por uma longa ditadura militar, e hoje algumas pessoas acreditam que aquela época era ideal, eles acreditam que na ditadura as coisas eram melhores, somente os comunistas eram perseguidos, mas eles ignoram os graves problemas econômicos, a censura e tortura feita pelos militares além do fato de que um militar não é político.
O ser humano tem a tendência de achar que aquilo que está fora da realidade é o ideal e que o presente está ruim, observe a história da humanidade, sempre acreditamos em um ideal distante que está fora de alcance, na época do teocentrismo, o ser humano diante dos problemas da realidade acreditava que o céu, o paraíso, ou seja aquilo que está fora da realidade é o ideal. Alguns anos depois, esse mundo ideal, passou a ser o futuro, ou seja a realidade é ruim, mas no futuro as coisas  vão ficar boas, e hoje em dia, diante dos graves problemas sociais em que se encontra o Brasil, a crença em um ideal se materializa em ideias radicais, daí uma possível explicação de algumas pessoas acreditarem em ditadura militar, ou seja, o atual é ruim mas "na época da ditadura as coisas eram melhores", não isso não é verdade, todos os indicadores de condição de vida mostram que o Brasil melhorou muito desde a época da ditadura, por inúmeras razões, mas estão melhores.
A ditadura foi uma época de truculência, onde a liberdade de expressão foi extremamente restringida, qualquer manifestação oposta ao governo era reprimida, não foram somente os comunistas que foram perseguidos, qualquer tipo de manifestação era reprimida, uma prova disso foi a lei Suplicy que impedia manifestações da UNE (união nacional de estudantes)  a qual o presidente era José Serra, outro exemplo foi a morte do estudante Edson Luis Lima Souto, que morreu pois protestava por melhor ensino público, depois disso o governo queria marcar o dia e horário para as pessoas fazer manifestações, quem é o governo pra decidir isto? Vale lembrar que os partidos políticos foram extintos, mantendo apenas o ARENA e o MDB, um claro ataque à democracia, que tem como uma de suas bases o pluripartidarismo.
Graças ao regime militar com o aumento nos gastos públicos, a elevação do endividamento externo, que acabou piorando com crise mundial derivada do aumento nos preços do petróleo, o "milagre econômico" quando a economia brasileira cresceu 10%, que foi financiado por empréstimos internacionais, o resultado disso? uma hiperinflação, o qual os militares foram incapazes de controlar, mesmo com plano cruzado, plano verão, plano cruzado novo, nada disso conseguiu controlar a inflação, que só pode ser controlado com o plano real de Fernando Henrique Cardoso.
As torturas realizadas contra civis durante a ditadura mostra o perigo do militarismo, pois diante de um regime militar o estado tem um poder de domínio contra a população, eles decidem o que é certo ou errado, e se você desobedece-los, sofrerá as consequências por não ter seguido o "guia de conduta moral" dos militares, o que não é muito diferente de regimes comunistas.
Um argumento  que usam pra defender a ditadura é que os ditadores eram homens honestos, bons, que não se envolviam em corrupção, bom, vamos ver quem são esses políticos honestos da ditadura. Paulo Maluf ex-prefeito e governador de São Paulo, procurado pela Interpol, só não foi preso aqui no Brasil era do Arena, o partido dos militares. José Sarney, foi presidente do diretório nacional do Arena, Fernando Collor de Melo que foi eleito como prefeito de Maceió pelo ARENA, e ao ser presidente do Brasil sofreu impeachment por estar envolvido em escândalos de corrupção e hoje faz parte do PT.  Edson Lobão ex-ministro do governo Lula e homenageado pelo ex-presidente Lula, era filiado do Arena, e hoje está envolvido no escândalo de corrupção na Petrobrás.  Portanto em uma época de extrema intervenção do estado na economia e censura contra a mídia fica a dúvida, será que eles eram honestos?
O militarismo é perigoso, dá um poder demasiado ao estado, não podemos acreditar nisto como solução nem na pior crise, militar não é político, não entende necessariamente de administração pública, militar tem sua função bem estabelecida na constituição que é proteger o território brasileiro de ameaças externas, a única solução para nossos problemas é o estado democrático de direito.


Palestra de Fernando Henrique Cardoso sobre os 50 anos do golpe  

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